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Aluno do Piracicabano é doutor em teologia pela Harvard University

Filipe Maia, que estudou no Colégio Piracicabano desde o ensino pré-escolar até o ensino médio recebeu o título de doutor em Teologia na Universidade de Harvard.
Aluno do Piracicabano é doutor em teologia pela Harvard University

O 136º aniversário do Colégio Piracicabano ocorre em setembro, mas um dos presentes para a história da instituição veio em junho com a conquista inédita de um aluno. No fim do último semestre, Filipe Fernandes Ribeiro Maia, 31, que estudou no Colégio todos os anos do ensino pré-escolar, fundamental e médio, cursados no período entre 1989 e 2003, recebeu o título de doutor em teologia pela Universidade de Harvard, localizada em Cambridge, Massachusetts, EUA.

Maia é bacharel em teologia pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), possui licenciatura em filosofia também pela Umesp; é mestre em Estudos Teológicos pela Perkins School of Theology, Southern Methodist University (Dallas, Texas) e ingressou em Harvard, em 2011. Em entrevista exclusiva, ele conta detalhes sobre esse período, fala sobre alguns dos desafios superados e relembra fatos que marcaram a sua vivência no Colégio Piracicabano. Maia também passou pela Unimep. Em 2004, ele cursou dois semestres do curso de filosofia da universidade. Acompanhe os melhores trechos da entrevista:

Como se deu o seu ingresso na Harvard University?
Filipe Maia – O processo seletivo exigia resultados de uma prova de conhecimento geral (chamado GRE), um projeto de pesquisa adequado para o contexto da universidade e relevante para a produção acadêmica atual, cartas de recomendação, lista de cursos que eu completei e que fossem relevantes para a minha pesquisa, e meu currículo escolar (graduação e mestrado).

Qual foi a etapa que considerou a mais desafiadora nesse processo e por quê?
Maia – O maior desafio foi articular como a minha pesquisa se adequava ao tipo de pesquisa feito pelo corpo docente da Harvard, especialmente da pessoa com quem eu gostaria de trabalhar, como minha orientadora. Na carta que encaminhei me candidatando ao programa, eu tinha que demonstrar que eu tinha conhecimento de minha área de pesquisa, que o corpo docente da universidade poderia me oferecer algo nesta área e, por fim, que eu teria algo a oferecer ao programa com a minha pesquisa.  

O que significa para você ter estudado em uma das universidades mais prestigiadas do planeta e que já teve alunos ilustres como Barack Obama, Bill Gates e Mark Zuckerberg?
Maia – O fator “ilustre” significa pouco para mim. Muitas pessoas ilustres que passaram pela Harvard fizeram (e continuam fazendo) muito mal para o mundo e muitas dessas pessoas são prestigiadas e respeitadas simplesmente por carregarem o “pedigree” da Harvard. Eu acho isso muito perigoso e por isso não me iludo com o fato de ter um diploma desta universidade. Durante todos os meus anos de estudo na Harvard, sempre tive a clareza que não cheguei ali sozinho e que, ao sair dali minha vida tinha que honrar as pessoas que contribuíram para a minha formação. O mais importante para mim a respeito dos meus anos na Harvard é que recebi uma educação de qualidade, com pessoas altamente capacitadas, num ambiente que valoriza a produção acadêmica e dá muitas condições, estrutura e liberdade para os estudos teológicos.

Quais são os seus planos para o futuro?

Maia – Meu plano é continuar trabalhando na área de educação teológica e contribuindo para a formação de líderes que pensem com profundidade, coragem e humildade sobre a teologia e que compreendam a sua importância na transformação do mundo.  

Quais foram as principais contribuições do Colégio Piracicabano à sua formação?
Maia – Foi responsável por grande parte da minha formação ética. Creio que o Colégio Piracicabano despertou em mim um espírito crítico e uma compreensão de mundo baseada em valores éticos profundos, em respeito às diferenças e um anseio por mudança. Eu me lembro de aulas de ensino religioso no ensino fundamental que me levaram a pensar que a minha fé de tradição cristã-metodista não era ameaçada, mas sim ampliada através de relações com pessoas de outras tradições religiosas. Eu me lembro do dia em que, na quarta série, nossa aula de educação física foi cancelada para que a classe pudesse debater o massacre aos trabalhadores rurais sem-terra em Eldorado dos Carajás, em 1996; eu me lembro das aulas de geo-política que tive no ensino médio, das aulas de filosofia… Enfim, as memórias são muitas. Foi no Colégio que aprendi a enfrentar o mundo e seus desafios numa atitude crítica. Estou convencido que o Colégio criou em minha época um ambiente único em que assuntos como estes e experiências como essa fossem valorizadas. E eu devo muito a tudo isso. Vale lembrar que foi no Colégio que eu conheci a minha esposa, Juliana, no jardim de infância, e grande parte de meus melhores amigos. A nossa amizade permanece forte até hoje. 

 

Entrevista e texto: Angela Rodrigues
Edição e coordenação: Celiana Perina
Fotos: acervo pessoal Filipe Maia
Última atualização: 28/08/2017